domingo, 8 de novembro de 2009

Bienal em SP

Então fica combinado que esse é para melhor fixar na minha memória.

Tô exausta, quase não consegui pôr meu pé esquerdo no chão quando acordei nesse dia de branco. O dia pós viagem é muito dificultoso explicar, é realmente quando estou entre duas cidades, entre duas... ou melhor, entre combinações, jeitos e escolhas de ver e lidar com tudo o que está perto de mim. Mas isso é muito fugidio, feliz ou infelizmente, sei lá...

Fui lá, ver a bienal de arquitetura, que não despertou nada de novo em mim. Eu ingenuamente pensava que bienal era para trazer, pelo menos, uma discussão controversa, uma polemicasinha e tal. Mas ela me vem apoiada em quatro palavrinhas que parecem putas velhas que já serviram pra tudo quanto é trabalho. Opa!, sem querer desmerecer o meretrício.

A exposição dos holandeses pareceu ser interessante, mas ainda não li o segundo caderno para entendê-la melhor. Os alemães foram pretensiosos e, como bem observou Leo, cheios de clichês. Acho que os cinco países da África, que expuseram um projeto cada, estavam lá para não dar margem pro crítico sem criatividade dizer que só temos olhos para a Europa e blá, blá blá, e também por causa da Copa (hum.... se bem que a África do Sul não expôs... mas é tudo África, não?). Falando em Copa, a exposição dos projetos para esta estava lá, mas, na moral, não existiu. Tinha uma dúzia de painéis e uma reprodução de arena que só poderia ser para as crianças.

Eu gostei muito da exposição de uma universidade de Hong Kong (perdoe, não lembro o nome). Eles estão mostrando trabalhos interessantes sobre tipologias desenvolvidos por alunos. A exposição de arquitetos brasileiros foi convencional: dois painéis e uma maquete para cada. E os projetos que vi são coisas do tipo que saem na AU ou na Projeto. O Governo do Estado tinha um espaço apresentando projetos que, numa olhada superficial, pareceram interessantes, principalmente a Companhia de Dança de São Paulo. A Prefeitura tinha um espaço também, mas o que ela apresentou foram aquelas casinhas iguais enfileiradas. Os demais, nada... ou eu não olhei ou não se fixaram na minha memória.

São Paulo é muito sedutora e andando por lá é preciso manter o foco. De tanta sedução – exposições, roupa, comida, música, livros, coisinhas exclusivas – estou criando uma convicção: a meta de minha cidade não pode ser oferecer o que São Paulo tem, senão estamos perdidos. Simples assim e não posso esquecer.

E uma convicção que já tinha se consolidou naquela cidade. Albergues são bem mais legais que hotéis. E, como o ENEA (Encontro Nacional de Estudantes de Arquitetura) me preparou pra vida, em situações de exceção como é uma viagem, eu abdico tranquilamente do quarto com banheiro pelo clima de comunhão dos albergues. Apesar disso, o hotel em que ficamos foi interessantíssimo. Ele nos apresentou um conceito inovador, revolucionário para os mais entusiasmados, de, digamos, abrigo. Os hóspedes têm oportunidade de desfrutar não de um quarto, mas de um banheiro com cama!! Tendo apenas o vaso sanitário enclausurado, tem-se chuveiro, pia e cama no mesmo espaço, é uma maneira totalmente super-nova de pensar o que é dormir e o que é higiene! Veja você, isso podia estar na bienal!! Gênios gênios gênios.

Muitos amigos e conhecidos também foram à SP ver a bienal e outras coisas. Numa conta rápida, tinham umas 16 pessoas. Encontrei também um amigo que conheci em Granada, e, velho, muito, muito estranho ver ele em São Paulo, fora daquele contexto do intercâmbio. Parecia que ele estava no cenário errado.

Apesar de ter perto pessoas que eu gosto muito, acho que 60% do tempo preferi ficar só. Basicamente por diferenças de prioridades e/ou interesses no que ver em SP. Velho, eu estou ficando cada vez menos flexível para abrir mão do que eu quero ver numa cidade. Mas, também, de noite era fundamental eu encontrar as pessoas, pra, de repente, tomar umas.

Ah sim!, você já tinha visto fila em banheiro de livraria? Isso pra mim era coisa que não existia.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Maria Bethânia

Eita!... Esqueci de dizer isso. Completando o texto anterior:

Por uns dez dias fui para o trabalho com o carro de minha mãe, este tem som. Nos primeiros dias fui ouvindo Babe Ruth porque, além de ser uma ótima banda, ela me me faz sentir livre e de gosto exclusivo. Depois, por querer estar calma, sentir serenidade e ter um pouco de identidade, peguei, emprestado de meu tio, Maria Bethânia no CD “Imitação da Vida”. Meu tio, aliás, é a única pessoa que eu conheço que ainda ouve e compra CD´s.

Então estava indo trabalhar dirigindo, Maria Bethânia no ouvido, e no ar sinto ela recitando Fernando Pessoa. Jesuis... Parei no sinal vermelho e não vi quando ele abriu. O ser humano que estava atrás deu aquela buzinada sem nenhum afino e expressei sem palavras (contraindo as sobrancelhas e levantando a mão em riste): velho, você não tá vendo que é Fernando Pessoa e Maria Bethânia?!!

Fui indo de novo, quase chegando ao trabalho, mais um Desassossego e passei da rua onde eu tinha que virar à direita. Suspiro. Descobrindo outro caminho, ouvindo outra música, passei pelo final de linha da Pituba, virei à esquerda, subi uma ladeira, e merrrrrda, deixei de virar na rua de novo. Aí desliguei o rádio, já estava atrasada e o dia me chamava.

Se eu fosse legista e puritana diria que ouvir Maria Bethânia recitando Fernando Pessoa deveria constar no código de trânsito como infração média a grave.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Yo, conductor

Faz pouco tempo eu comecei a dirigir com mais freqüência em Salvador. Pensei várias coisas sobre isso:

Nas primeiras primeiras vezes que fui trabalhar de carro fiquei na neura de esquecer este fato e voltar pra casa de ônibus. Ficava me repetindo: “sanane, você tá de carro, você tá de carro...”

Quando saio do carro e olho para ele sinto desconforto com todo aquele volume. É uma coisa muito grande para ser só de uma pessoa... tudo isso só para mim?

Comecei a entender melhor as conexões de Salvador, principalmente as rótulas. Porque quando estou de ônibus, minha percepção dos lugares é pontual. Vejo um lugar, passa um tempo, depois presto atenção em outro. Sei que o ônibus fez um percurso entre um e outro, mas se ele virou à esquerda ou direita, se passou por cima ou por baixo de um viaduto, se fez retorno é um detalhe para mim. De carro eu TENHO que prestar atenção nas conexões.

Choque. Ledo engano e ingenuidade minha pensar que o carro me daria mais liberdade de locomoção. Tsc, tsc, tsc... se não tiver lugar para estacionar fica-se quietinho em casa assistindo televisão ou se é OBRIGADO a ir só nos lugares com estacionamento, de muita preferência sem pagar por isso. Sem falar da lei seca.

Quanto à segurança, eu mesma nunca achei que estar de carro desse mais segurança a ninguém. Pelo contrário, me sinto mais segura em pegar um taxi só do que pegar o carro naquela única rua que tinha vaga. Acho que vou comprar um spray de pimenta pra mim.

E até outro dia eu achava que todas as buzinas eram por minha causa.

sábado, 10 de outubro de 2009

Nobel de Obama

Em dia de Oscar, digo, Nobel pra Obama lembrei do Carnaval do Recife:

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Orai, irmãos

Livrai-me de toda idéia transformada em dircurso, amém!

sábado, 26 de setembro de 2009

Salvador

As coisas vão se agregando, acumulando e ganhando significado.

Não tenho muita vontade de ir ao miolo ou na orla atlântica de Salvador. A atmosfera úmida daqui não me faz querer ir lá. Mas vou. O miolo me parece muito uniforme, muito quente e sufoca. Quando falo uniforme me refiro à grande escala. Tsc, que me matem! Enfim, meu campo de visão lá é muito curto, não existe horizonte, chego a sentir os fios de energia se enrolando em mim.

No atlântico o ar é difuso, entorpecido. As coisas são meio superficiais, aeradas e o horizonte é aquilo mesmo que o define. É uma linha horizontal, inalcançável e inerte que separa tons de azul. O Atlântico é belo, sem dúvida. Mas o belo óbvio não aprisiona.

Mas a Baía... mas-a-baía... Quando vou por lá tenho impulso de gritar nos soteropolitanos que Salvador NÃO é uma metrópole, Salvador NÃO é cosmopolita. Fico repetindo essas coisas na cabeça, involuntariamente.

Os ferros, as paredes úmidas, os esgotos, a topografia, as ilhas, as feiras, os infinitos horizontes. Mariscagem, meu Deus, a mariscagem... de onde vi, as pessoas viraram pedra para catar marisco. Isso me enche tanto os pulmões que transborda pelos olhos. Venho me apegando a estes horizontes para tentar entender Salvador e outras coisas. Ou pelo menos eu quero acreditar que venho me apegando a isso.

Acho (e apenas acho) que o que torna Salvador única e congruente é que no momento em que dou o passo para voltar para casa sinto mais ou menos a mesma coisa, qualquer que seja o lugar de para onde eu tenha ido nessa cidade. Alívio, superficialidade e fé.

E a merda, pensei um dia depois de ter ido pela Baía e enquanto tomava açaí, é que Salvador não cabe numa colher.

sábado, 12 de setembro de 2009