sexta-feira, 24 de julho de 2009

terça-feira, 14 de julho de 2009

Michael Jackson e Joan Baez

Semana passada eu saí com uns amigos que têm elevado nível de prioridade para mim. Quando peguei a chave pra sair de casa senti aquela falta de perspectiva morna que tenho quando vou numa festa de família. Vamo lá.

Surpreendentemente chegamos todos na mesma hora (uma hora depois do combinado). Atravessei a rua e vi quase todos na calçada se abraçando. Daí eu pensei que eram meus. Mas eu não quero falar deles agora.

Ficamos no bar, depois fomos pra outro lugar bailar, tudo no Red River. Buena música, tipos de pessoas já esperadas, nós ficando cada vez mais daquele jeito, eu acho. Cada vez mais livres, eu acho. Pelas tantas tocou Michael Jackson, não pude deixar de fazer aquele condicionado comentário de desprezo pela mídia: tsc... ti-nha que tocar Michael Jackson. Foi uma delícia, mas lembrei que ele tinha virado história.

Aí lampejo. Estive certa que alguém vai sentir em Michael Jackson a mesma saudade melancólica que eu sentia quando ouvia Joan Baez (quando era criança eu achava que Joan Baez já tinha morrido... achava que todo mundo que meu pai ouvia estava morto). Sentia uma tristeza por ter chegado atrasada no tempo. Michael Jackson vai ser Joan Baez para alguém. Aí o tempo tocou em mim. Isso foi o tempo me tocando forte e silenciosamente.
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p.s.: Pra baixar o disco de Joan Baez que eu ouvia lá em casa vai aqui: Gracias a La Vida

domingo, 5 de julho de 2009

Santo Antônio

A descrença é, hoje, impossível pra mim. Longe de ser por determinação filosófica ou fé, acho mesmo que por condicionamento e hábito. E, também, porque algumas crenças me dão prazer e me salvam.

Tinha um boteco perto do CEFET, onde fiz o ensino médio, que ficava no Santo Antônio. De vez em quando, só pra não ir de novo no bar dos Micos, a gente ia pra lá depois da aula, sempre já de noite. Era bom o caminho até lá, porque era muito misterioso. O percurso era muito escuro, e, pouco antes de chegar ao bar, a gente entrava num beco estreito do lado de uma igreja colonial enorme. Adorava o tom de mistério do caminho. Parecia que estávamos caminhando no século XVII e íamos nos bater com Gregório de Matos (li pouquíssima coisa dele, mas sempre penso nele quando me lembro daquele caminho).

Um dos pensamentos que, Deus sabe por que, sempre me vem é o fato de eu não saber qual era exatamente o caminho que a gente fazia do CEFET para o bar. Este me ocorre, sem incomodar, desde que saí do CEFET.

Então, querendo dar certa produtividade ao meu ócio, dentre outros motivos ainda não mencionáveis, resolvi a uns trinta dias que iria tentar refazer o caminho do CEFET até o bar do Santo Antonio, tentando passar pelo beco. Ia fazer o caminho de dia, porque resquícios de prudência me restam e não sou doida de andar sozinha no século XVII.

Eu desci do ônibus em frente ao CEFET e foi inevitável não pensar em mim quando cheguei naquela escola pela primeira vez (acompanhada de minha mãe). Sorri com a boca fechada, cruzei os braços, encolhi os ombros e um sentimento morno e confortável veio. Também me senti pretensiosa e cheia de certezas (!).

Fui descendo pelo Barbalho, sem me preocupar em achar logo a rua que a gente subia pro Santo Antônio. Rua de asfalto sem passeio, carro de fruta, oficina, passeio cheio de carro pra consertar. A ladeira de paralelepípedo que sobe pro Santo Antônio e o ponto onde eu pegava o Duque de Caxias para ir pra casa (só em pensar nesse ônibus me dá sono). Subi o Santo Antônio. Fui indo, fui indo, e, contra o que eu esperava, encontrei rápido a Igreja enorme, o beco, e, fiquei surpresa, o boteco ainda tava lá, com aquela varanda super-estreita. Me veio uma satisfação de dever cumprido. Pronto, fiz, podia colocar o pensamento no bolso e esperar outros.

E aproveitando que estava naquele lugar tão bom de estar, fiquei andando mais um pouco e fui parar, surpresa de novo, no Largo de Santo Antônio. Nunca tinha chegado lá por aqueles caminhos. O Largo estava lotado de gente e carro. Putz, era dia de Santo Antônio! Putz, eu resolvo ir lá no dia de Santo Antônio. Véi...

Fiquei bordejando por lá, cheiro de cerveja, vi o mar, vi o porto, coloquei a cabeça no portão do Forte de Santo Antônio. Passei em frente à igreja, entupida de gente, cativante. Sentei na escada, num lugar com sol porque estava com um leve frio, pra esperar a vontade de ir embora chegar. Fiquei só olhando e julgando quem passava, condescendente com uns e desprezando outros (tenho que parar com isso). Um tempo depois percebi uma coisa e antes de realmente ver e saber o que era, meu braço agiu e pegou. Peguei uma estatuazinha metálica de Santo Antônio, de uns três centímetros, que estava jogada no degrau da escada.

domingo, 14 de junho de 2009

msn

Yo! diz:
muito bom velho, o cara é muito bom
leo, me ajude
please!
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Leo diz:
uhum uhum uhum

Yo! diz:
to tentada a comprar mac
que é que eu faço
ayudame!!

Leo diz:
hahahahaha
bem, com minha inguinorana em computadores não sou eu quem vai lhe convencer a comprar, com certeza

Yo! diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
MAC DONALDS
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
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Leo diz:
hauhAUAHAUHAUHAUHAUAHUAHAUHAU
adoreeeeeeeeeeeeei (ow, vergonha )

domingo, 31 de maio de 2009

Trecho da música Bairro Novo/Casa Caiada, da Eddie

"(...)
Todas as cidades ja estão em chamas
Consumidas por um desejo voraz
Quem sabe ainda sobre alguma chance
(...)"
Só uma observação: nesse trecho isolado da música cabe uma interpretação diferente da que há na letra completa.

sábado, 16 de maio de 2009

Segredo

Segredo foi construída no tempo em que os deuses existiam e os homens inventavam coisas. E lá continuam a acontecer histórias isentas de qualquer pressentimento. As histórias das pessoas que vivem em Segredo são crias da imaturidade e das apropriações que todos fazem das expressões alheias. Não sei por que só lá percebi isso.

Segredo te faz descobrir coisas por intuição. E os descobrimentos te dão por volta de três caminhos. Para um novo visitante, como eu, é preciso pragmatismo e um certo esquecimento para passar da melhor forma possível alguns dias lá. E é preciso muito disso para morar em Segredo de forma plena e também satisfatória à sua intuição. Porque se não você se perde numa loucura hedonista e sinestésica...

Segredo já viveu um dia para cada morador. Aquele lugar tem vocação para o ser-humano, o que não deveria ser digno de nota, já que foi o ser-humano que o construiu. Lá, quando você prende a respiração, todo movimento da cidade cessa.

Um amigo também já esteve lá e me explicou algo que não tinha percebido. Ele se propôs viver, um dia, pelas ruas de Segredo. Ele não quis admitir, porque detesta prazeres óbvios, mas o corpo de Segredo seria para ele um deleite de estímulos. Passou um dia segredando na cidade, inventando significados e às vezes prendendo a respiração. E então meu amigo me disse como é fácil odiar Segredo. Porque ela não deixa nada acontecer nada além dela.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Foto!

Veja como nossa cultura pode ser atrasada, obtusa e prepotente. Eu aprendi na escola (suspiro) a ser condescendente com a ingenuidade e falta de conhecimento dos índios que acreditavam que seu espírito (ou algo de si) era aprisionado pelas câmeras fotográficas ou de filmagem que capturavam suas imagens. Tem até histórias da Turma da Mônica que falam disso de modo bastante cândido.

E eu levei uns dezessete anos para entender que os índios tinham toda razão. Eles estavam absolutamente certos.

Faz um tempo que, quando tiro foto de uma pessoa sem o consentimento dela, peço mentalmente e de modo quase inconsciente desculpas. Porque estou me apropriando de parte da identidade de uma pessoa (e sem dúvida do espírito dela) para um uso exclusivamente pessoal e que vai depender das minhas intenções e humores. E estou ficando igualmente constrangida em tirar fotos de coisas que, para estas pessoas, têm forte simbologia. E o pior que muitas vezes são estas coisas que são importantes registrar.

E constantemente estou ficando entre o impulso de me apropriar do que há de mágico em uma pessoa ou de algo que é construção dessa pessoa e o ensinamento de minha mãe dizendo que não se pega o que não é seu. Mas é claro que isso não é um pensamento claro e límpido que me ocorre quando tiro uma foto, é um sentimento indefinido, amorfo.

Outro dia presenciei uma cena que foi um absurdo de insensibilidade e de invasão. Uma mulher, da capital, ia tirar foto com seu celular de uma senhora de um povoadozinho. O celular não tinha zoom, então a mulher aproximou bem o aparelho no rosto da senhora. E, com uma das mãos, ficou ajeitando a posição da cabeça da senhora para ficar bem na foto. Foto tirada, a mulher saiu andando de costas para a senhora. A mulher chegou, não pediu licença, estendeu o aparelho, tocou na senhora do modo que lhe convinha (e no rosto!), e saiu sem olhar mais para a senhora e sem dizer obrigado.

Evidente que já tirei zil fotos de pessoas sem pedir permissão. Mas assim...