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terça-feira, 14 de julho de 2009

Michael Jackson e Joan Baez

Semana passada eu saí com uns amigos que têm elevado nível de prioridade para mim. Quando peguei a chave pra sair de casa senti aquela falta de perspectiva morna que tenho quando vou numa festa de família. Vamo lá.

Surpreendentemente chegamos todos na mesma hora (uma hora depois do combinado). Atravessei a rua e vi quase todos na calçada se abraçando. Daí eu pensei que eram meus. Mas eu não quero falar deles agora.

Ficamos no bar, depois fomos pra outro lugar bailar, tudo no Red River. Buena música, tipos de pessoas já esperadas, nós ficando cada vez mais daquele jeito, eu acho. Cada vez mais livres, eu acho. Pelas tantas tocou Michael Jackson, não pude deixar de fazer aquele condicionado comentário de desprezo pela mídia: tsc... ti-nha que tocar Michael Jackson. Foi uma delícia, mas lembrei que ele tinha virado história.

Aí lampejo. Estive certa que alguém vai sentir em Michael Jackson a mesma saudade melancólica que eu sentia quando ouvia Joan Baez (quando era criança eu achava que Joan Baez já tinha morrido... achava que todo mundo que meu pai ouvia estava morto). Sentia uma tristeza por ter chegado atrasada no tempo. Michael Jackson vai ser Joan Baez para alguém. Aí o tempo tocou em mim. Isso foi o tempo me tocando forte e silenciosamente.
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p.s.: Pra baixar o disco de Joan Baez que eu ouvia lá em casa vai aqui: Gracias a La Vida

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Hoje eu tinha umas coisas pra falar... como tinha sido o rapel, que "mais belo dos belos" não é slogan, é fato, de Iemanjá que nos envolve quando estamos praticando a descrença (impossível eu não acreditar em nada em Salvador, embora tente de vez em quando). Mas amanhã viajo, não tenho tempo de escrever devidamente sobre essas coisas, e provavelmente vou voltar com outras vontades...

domingo, 11 de janeiro de 2009

O menino

Isso foi na semana passada...

Estava numa hora de hedonismo fundamentado, visões já daquele tipo e certos sentidos e intenções aguçados. Um homem qualquer (porque pra nós era qualquer mesmo, sejamos francos) pedia dinheiro. Até aí nada, porque era nada mesmo, para nós. Mas ele tinha um menino no ombro. Lindo, lindo, o menino estava com a cabeça deitada na cabeça do homem, e nem olhava para nós, porque nele éramos menos que nada mesmo. Olhava para o céu, para além de tudo que podíamos ver, ele olhava contemplativo e calmo para lá de tudo que o rodeava. O menino é um poeta e me hipnotizou.

O homem não recebeu dinheiro de nenhum de nós, se afastou. No mesmo momento o menino se pôs ereto e olhou objetivamente para frente, reto. O menino era príncipe, era dono, era um lúcido. Nossa!...

O homem começou a pedir dinheiro noutra mesa, de novo com a mão estendida. O menino, não teria mais de quatro anos, cobriu todo o rosto com o gorro azul que tinha na cabeça, como fazem os bandidos. Isso foi muito rápido, só pude soltar um “zorra!”. Mais rápido, o menino, depois de cobrir o rosto, puxou uma arma de brinquedo do tamanho do braço dele, não sei de onde, e apontou para o que estava abaixo dele. Porque tudo estava abaixo dele mesmo. Eu não consigo dizer o que era o menino. O que era isso??

Eu não inventei isso, mas não posso acreditar ter visto sequência tão clarividente.