Ontem Tia Nena fez 88 anos. Nossa, sou doida por essa tia véa. Tia Nena sempre foi das pessoas mais velhas que conheci. Na verdade ela é atemporal, assim como todas as pessoas que conheço desde que nasci. Me cuidou, me gritou, me deu dinheiro pra comprar lanche na viagem. Aliás, olha que fofo: quando eu era bem pequena ela me dava dinheiro pra comprar merenda na viagem de volta à Cruz das Almas (ela mora em Itiruçu, cidade que vai sediar partidas da Copa do Mundo de 2014). Quando viajei pra fazer intercâmbio, do outro lado do Atlântico, já cheia de anos, ela me manda um envelope com dinheiro pra comprar merenda na viagem. Não é lindo??
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Fonte do Ninho
Você já viu o projeto que modificará a Fonte Nova?? Viu as outras propostas?? Tudo merreca! Sou plenamente a favor da proposta acima!quarta-feira, 1 de outubro de 2008
justlikeapapertiger bbbbbbbbbbbbbb-----------------|||||||____________
É assim, contendo, segurando conforme deve estar para viver. A voz seca, estéril, uma força mínima. Tudo seria muito bom como se quer, como se gostaria de querer. Mas mas mas. Mas. Mete-se a si a mão nas costas, na altura da oitava vértebra, e vai experimentando movimentos, a gosto da própria experiência deste.
É assim essa música de Beck. É assim. Muitas coisas são capazes de me elevar, a maioria depende de uma disposição anterior minha. Essa música, sem mais, me tira de qualquer lugar e me pára, lá em cima, eu acho. Acho que é o contraste da voz com os instrumentos. Acho mais ainda que é quando a voz se liberta numa distorção e se afasta, se afasta, e os instrumentos gritam por terem vencido sem derrotar.
Ouve aí, melhor com fone de ouvido: Paper Tiger
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Saneamento básico
Ia fazer o comentário, mas e aí? É algo que está muito fora de mim para ser escrito (não interprete isso como falta de solidariedade). Surpreenderam-me muitos os números de saneamento dos municípios baianos. Mas eu queria mesmo escrever algo doloroso, de pele esfolada e ardida.
Ademais, frases como “acredito no país”, “acredito no ser-humano”, “acredito no conhecimento” e suas derivações nunca fizeram, verdadeiramente, sentido para mim. O fazem pra você?
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Por meses passei pela Silveira Martins num estado de indisposição sufocado pelo pensamento de que isso ia passar. Aliás, como tudo o que me incomoda. De manhã passava pela avenida num sono que me paralisava os músculos e fazia minha cabeça doer porque a aula na Uneb começava às 7:30. De tarde, calor me detonando, aumentando minha fome, ônibus cheio e uma hora até chegar em casa, engolir comida e ir para a faculdade de arquitetura. Como previsto isso passou, pois que deixei a Uneb, o que, além de aumentar minha culpa social, paralisou na minha boca aquela indisposição quando passo pela Silveira Martins.
Mas no sábado meu objetivo não era a Uneb, era o que estava atrás dela, a Engomadeira. Antes de aí chegar, tive do alto a perspectiva da Estrada das Barreiras, onde pude ver até longe, o que me fez respirar fundo e sentir bem. Vi sujeira, desorganização, cores encardidas. Pergunto-me agora, de um modo desestruturado, acerca do que é bonito numa cidade. O panorama não era bonito, mas era agradável. Agradou-me. Era bonito de uma maneira que me expandiu. Ai meu Deus, minha cabeça está pedindo que eu busque noções do belo, mas não sei se vou ter saco de ir além do Google. Mal de minha geração.
Primeira à direita, Engomadeira. Carro, carro, gente5, farmácia10. Passou um carro da polícia, gostei, mas, logo, rhum... sei não... isso daí...
Fui seguindo a rua, movimento diminuindo, entrei em algumas ruas locais, apenas naquelas onde podia ver crianças, senhoras ou roupas na varanda. Numa dessas ruas, uma mulher, cigarro na mão e barriga de fora, disse "não-sei-que-lá polícia". Rhum... Passei em frente ao que me pareceu serem dois terreiros. Todo lugar que me prometia ver um verde ou um panorama do alto ou que faltava um pedaço, me atraía. Mas não pude ir a 1/3 deles.
Saí de uma das ruas locais, voltando à Rua da Engomadeira, para então pegar o caminho da roça (ainda se diz isso?). Antes entrei num mercado para comprar água (R$0,30 o copinho, nunca vi tão barato!). O caixa deixou meu pedido no ar e saiu com semblante sério para ver dois carros de polícia que tinham passado. Só ouvi uma pergunta dispersa: “fechou a rua?”. Quando ele voltou não estava com cara de que me responderia alguma coisa, então peguei a água e saí. Vi que os dois carros haviam fechado uma rua transversal à Rua da Engomadeira. Mas, excluindo a presença dos policiais, todo o restante estava normal, talvez aparentemente. Entrei numa farmácia (tava mesmo precisando de manteiga de cacau) e o vendedor era dos que gostava de falar sobre o que o rodeia. Disse que há cinco dias um policial tinha sido assassinado ali pertinho e que os policiais estavam procurando traficantes. Disse também que ali não havia assaltos, mas tinha briga de traficantes. Ai meu Deus... Deixei o dinheiro da manteiga e segui o caminho da roça. Olhe, só digo uma coisa: “Deus protege os bêbados, as criancinhas e os distraídos” (Leo, 2008).
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Digníssimas senhoras da Graça
Ai ai... as digníssimas senhoras da Graça. Eu as vejo e imediatamente me vem à cabeça a frase, num modo de constatação: digníssimas-senhoras-da-Graça. Sempre foi assim, desde que estou em Salvador. Passaram-se os anos e confirmei cabalmente que não existem as digníssimas senhoras da Pituba ou de Brotas, por exemplo. Isso não quer dizer que as senhoras destes bairros não sejam dignas, absolutamente.
Mas estas digníssimas senhoras da Graça... perdoe a repetição, mas não dá para não fazê-lo. Certamente eu ia perder ponto no vestibular. Não sou propriamente curiosa a respeito delas, mas sei lá, por que só as vejo aqui? Elas são para mim um emblema movente, aparecem e magnetizam minha atenção como nenhum outro tipo. Talvez porque só existam neste reduzido espaço de Salvador e por eu não ter podido, a força de sempre ter morado na Graça desde que saí de Cruz, identificar o tipo que só existe no Cabula ou na Paralela. Se bem que agora na Paralela não vivem tipos, só atores da Globo. Aliás, parece mesmo é que na Paralela todos os edifícios estão vazios. Bem, isso não é para agora.
Voltando: estas muy dignas senhoras andam de ônibus, a pé ou de motorista com a mesma inflexível compostura horizontal. Porventura pertencem a famílias ricas ou se casaram com rapaz remediado e desde os anos 70 cozinham o tempo. Para algumas destas senhoras Paripe é um balneário fora de moda há muito tempo. Para outras é muito complicado chegar lá, dizem que tem que pegar a BR.
Me parece (menos um ponto na redação) evidente que nunca trabalharam fora de casa. Porventura foram discretas ativistas políticas, de cultura um pouco superior à média soteropolitana e atentas a modismos um tanto extravagantes. Passado o tempo casaram-se, como é de praxe, e acharam lindo quando o filho entrou para o Grêmio do Vieira.
Nunca usam jeans. Normalmente usam calça ou saia sem estampa, em tom pastel, e camisa estampada com grandes figuras. Usam bijuterias douradas, às vezes dourado e preto, muita base, cabelos pintados imóveis e muito esticados para trás. O porquê de não usarem tintura em tons escuros eu não sei. As mais determinadas usam grandes óculos de sol e grandes unhas vibrantes. Essas sim sabem dar ordens a quem restou para ouvi-las.
